Dec 20, 2007

HOMENAGEM ÀS CASAS TRADICIONAIS - 2000-2002!

QUE FUTURO PARA AS CASAS TRADICIONAIS DE CURRAIS?

OS Barrosões, de um modo geral, são ciosos do seu PASSADO histórico e nele souberam cimentar energias para melhor projectar o FUTURO de um espaço ímpar no todo nacional.

A DESERTIFICAÇÃO do interior do país, ameaça todo esse legado civilizacional local e disso devemos estar conscientes , porque seria sempre uma parte importante de nós que também morreria.

E só daríamos conta dessa importante falha da vida comunitária, quando tentássemos ajudar a passar às gerações vindouras a “almofada” do nosso testemunho e que é multissecular.

Trata-se , pois, de um CRIME que deve ser interceptado pelos homens e mulheres de boa vontade de BARROSO, vivam eles no território nacional – estes com responsabilidades acrescidas, porque mais propensos ao exercício da acção governativa! – vivam eles noutras paragens e que um dia, por certo, quererão indagar sobre as suas ORIGENS e pedirão contas a alguém.

E no DESERTO não haverá vida…

No “Ano Santo” de 2000(MM), em Currais, pocurou-se recordar um passado recente da vida comunitária, com a edificação de um oratório cristão, prestando-se à data uma merecida homenagem aos que tinham partido para a ETERNIDADE e que deixaram saudades a muitos.

Os entes queridos mais representativos das Casas Tradicionais do Lugar foram entretanto lembrados nas singelas quadras do “POETA DESCONHECIDO” que se seguirão e apenas editadas nas festas de 2002, com vista à progressiva consolidação do projecto.

As CASAS TRADICIONAIS de CURRAIS – desde a mais singela à mais abastada! – são hoje consideradas património histórico e cultural do Lugar, da Freguesia, do País e do Mundo, que provavelmente as NOVAS GERAÇÕES irão revalorizar, modernizando-as e mantendo-as como alicerces seguros dos seus NOVOS PROJECTOS de vida.

Quadras lidas junto ao Oratório do Divino Salvador , Na RUA CIMO DE VILA, em Currais, no decurso das Festividades de Verão/2002 e patrocinadas pelas Casas Tradicionais do Lugar, ATRAVÉS DOS SEUS MORDOMOS E COMISSÂO DE FESTAS.


Casa de Costa com o serão
Que a muitos deve lembrar
Domingos de bom coração
Luisa atrás da Portela foi buscar

Luís da Laja, jogador de pau
Homem dos sete costados
Mal pegava no varapau
Todos ficavam admirados

Lembrar o Alíbio da Laja
Sempre com histórias de encantar
Poeta popular que bem haja
Sempre bonito de lembrar

E que dizer do Domingos Josefa
Sempre disposto a trabalhar
Teve nos filhos a tarefa
E a Luisa de Pereira a ajudar

E o António Capador
No seu cavalo altaneiro
Bem conhecido ao redor
Foi de todos pioneiro

E também o Constantino
Que nas Giestas foi morar
Teve na Luísa o destino
E os filhos que soube amar

António e Luisa com mansão
Tiveram herdeiros sem medo
Espigueiros na eira para admiração
Casa de Antonhalves tem enlevo

Bazílio teve no José expressão
Com a Pisoeira de saia rodada
Luísa bela e de bom coração
Por todos querida e amada

Casa do Morgado assim chamada
Com o Manuel a fazer história
Arcos e marco miliário na entrada
Refugiados galegos em memória

A Casa de Ferreiro teve estrado
Com folhas secas ao redor
Ao Serrolho, Ruja e até o Fado
Luisa e António deram valor

Casa do Varanda tem tradição
Com família honrada e feliz
Abílio, Maria e Felecidade a criação
Florantino místico assim o quis

Casa do Santo assim chamada
Olimpia, Alfredo e Manuel caçador
Por gente de Barcelos asseada
Agora tem outro valor

Casa da Adelina é na Carreira
Pelos herdeiros acrescentada
Vindo por Sacuzelo é a terceira
Por gente de vida é habitada

Maria da Conceição em flor
Três filhos teve que criar
Qual deles o melhor
Sinal de que os soube amar

Casa do Candão teve asseio
Lá no fundo do lugar
Rosa e Manuel de permeio
Pelo muito que souberam dar

Casa do Cabo, de tempos idos
Maria e Amadeu foram bandeira
Com nome e título mantidos
É uma casa à boa maneira

Casa do Alberto teve na guerra
O Milhões a acompanhar
Feita por um bom filho da terra
E que devemos homenagear

Casa da Fonte e do Codeçoso
Maria e Domingos souberam ter
Tudo ali é primoroso
E primeira casa a valer

Casa de Militar já sem tecto
Da Luísa e mana do Capador
Relógio e Morente com afecto
E também com grande amor

Casa do Rego das mais antiga
Pelo Delfim e Maria conservada
Feita a pulso é bom que se diga
Transparece na casa de morada

Casa do Capador é comprida
E cercada de ruas estreitas
Por Domingos e Virgínia mantida
Para bem das nossas maleitas

Matilde é nome com força
Que José à Peneda foi buscar
Sempre lestro que nem uma corça
Para na Borralha trabalhar

Casa de Matias é uma beleza
Por José e Clara preservada
Tudo por força da natureza
E pelos filhos continuada

Casa de Sapateiro de boa era
Que Manuel e Alzira trataram
Granito e madeira alí empera
E que outros conservaram

Casa da Brasileira é bonita
Feita de granito e tábua pintada
Gente com história e bem catita
Rosa é por todos recordada

Casa de Jandias é um recato
Com pátio e eira logo à entrada
Com João e Delmina o bom trato
Pelo Cândido e Maria conservada

Casa do António da Escaleira
Tem janela de guilhotina
Tudo antigo e em madeira
Muito para além da rotina

Casa da Conceição das mais antigas
Com mulher descalça é recordada
Teve no leito três raparigas
E um poeta de alma lavada

Casa da Amélia foi sedução
E por muitos cobiçada
Teve lá mulher de bom coração
E por todos muito amada

João do Cruzeiro fez casa grande
Mesmo à entrada do lugar
Ali deixou herdeiros e quem mande
Homem bom há que lembrar

Casa da Escaleira tem história
Com o Clemente há uns anos
Quinteiro na entrada é a memória
Ainda não sofreu grandes danos

Casa de Paiafonso com aura
Lá no largo do Cruzeiro
Morada do pai da Isaura
E agora um simples palheiro

Casa do Justino e Marcolina
Que o Armindo acrescentou
Fazendo da Silvéria a sua sina
E também dos filhos que deixou

Casa da Senhorinha era pequena
Com pia à entrada e quinteiro
Hoje já desfeita e até com pena
Ao lado de assento verdadeiro

Casa do Josefa de tempos idos
À casa do Costa foi parar
Quinteiro e espaços perdidos
Oh que harmonia poderiam dar

Sobrado alto foi da casa do Costa
Com uma bela arquitectura
Mantido como boa resposta
E a bem da nossa cultura

Casa da Pisoeira, mulher de vida
Nas bodas espalhava o seu furor
Por cima das amêndoas estendida
Com terra (e bosta) tinham mais valor

Casa do Armindo jovem moço
Que a vida não completou
Tudo aconteceu em alvoroço
E a as saudades que deixou

Casa da Isaura é na quelha
Muitos sonhos que a vida ceifou
Vida transformada em centelha
No amor que sempre cultivou

Casa do Pires é de sonho
E uma figueira a lembrar
Habitada por homem risonho
Que a vida acabou por cegar

Casa da Luisa de Vila Nova
Lá no fundo do lugar
Gente boa que se renova
Pelo muito que sabem dar

Casa do João e da Dores
Com o poeta Alíbio repartida
Vida que não tiveram a cores
Saudade por muitos sentida

O Poeta Desconhecido

Currais, 12 de Agosto do ano de 2002, da era de Cristo

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